..."De acordo com a ideologia reinante, o que somos, o que temos e o que fazemos depende unicamente de nós. A felicidade humana é uma construção pessoal que exige método e esforço. O que implica, inversamente, que a infelicidade é o resultado da nossa incapacidade para sermos felizes. Haverá pensamento mais perverso? Não creio. E, no entanto, ele é repetido, dia após dia, numa sociedade que se sente infeliz por não ser feliz, como se a felicidade não fosse também um produto de contingências várias, que escapam ao controle dos homens. O produto, no fundo, de oportunidades que vieram ou não vieram; da ação ou da inação de terceiros; e das mil vidas que poderíamos ter tido. Como no tema musical que Susan Boyle canta com a intensidade própria de quem explica a sua biografia, os nossos sonhos não dependem só da nossa autonomia.Dependem dos "tigres da noite" ou das "tempestades imprevistas" que tantas vezes os envergonham e despedaçam. Quando a febre passar e Susan Boyle regressar à aldeia e ao anonimato, a memória que deve ficar não é a de um talento escondido que teve os seus 15 minutos, ou 15 horas, ou 15 dias de fama. O que deve ficar é a lição grandiosa de uma mulher que, na sua tocante simplicidade, disse a cantar o que provavelmente aprendeu com a vida. Que o inferno ou o paraíso, longe de serem prêmios exclusivamente humanos, repousam também nas mãos do destino."
Há Os que só tragam com filtro. Os que conduzem a dança. Os de papo requentado. Os que espalham o conflito. Os grosseiros de foulard. Os que usam o saber como arma de poder. Os que citam sem parar. Os ternos de abraço manso. Os previsíveis sem sal. Os que não têm espelho em casa. Os que têm presas no olhar. Os prósperos despreparados. Os que vão lamber o limbo. Os marinheiros sem mar. Os belos atormentados. Os que gostam de mulheres. Os que gostam das mulheres. Os mitos desamparados. Vampiros os mais variados. Os que só querem mamar. Os que portam falos bélicos. Os que inventam nosso riso. Sensíveis sem onde morar. Os que decifram. Os que devoram. que adoram nos ver chorar. Casados infantilizados. Os que temem se amarrar. Os que consertam cadeiras. Ciumentos sem chave do armário. Os indeléveis carnais. Os de coração falido. Os gananciosos banais. Marxistas que espancam mulheres. Os que se desmancham no ar.
Diário. O mais próximo que cheguei de carnaval esse ano foi assistir ao Oscar. Admiro profundamente a mãe de um amigo de Felipe que sai em 8 escolas todo ano. Já foi destaque mirim do Cacique de Ramos, tem 45 anos de carnaval para contar. Fico colocando pilha nas pessoas para que, por favor, escrevam um livro. Esse é o maior tesouro de alguém, essas vivências históricas. Yolanda é um acervo andando pela rua. Enfim, quarta-feira chega de L. A. o Oliver, amigo de trabalho de Felipe. Fica com a gente um mês, vem fazer umas prévias entre Rio e Sampa para, se tudo der certo, rodar um filme sobre Street Art aqui. È a praia dele lá. Se alguém é dessa tribo, manda mail. Ele veio entrevistar os artistas. Falando em Oliver, uma curiosidade, ele vinha domingo para pegar um pouco do carnaval e os blocos e tal. Queria muito que ele fosse ver o pessoal do Monobloco e as Carmelitas e tudo o mais, mas ele precisou remarcar o voo pq foi contratado para fazer o backstage do Oscar. A vida é muito divertida. Nem ligo mas acaba que vou saber do Oscar assim, por dentro, entâo, quero muito que ele chegue pq, na verdade é só o que me interessa na vida: os bastidores, qualquer um. Qualquer cena é sempra mais bonita, eu sei, mas nunca existe verdade. Tenho todos os filmes para assistir mas putz, que má vontade. Tenho ouvido musicas novas e visto muita fotografia. O impensável, ando cansada das coisas web. Orkut nem pensar. Tou me arrastando no Facebook, o Twitter se transformou numa infelicidade. Sinto saudades do icq. Queria muito que aparecesse uma coisa nova. Hoje em plena e ensolarada (leia-se quente pra caramba),segunda-feira de carnaval, rola mais um mini mutirão aqui em casa, para pendurar coisas e pintar o teto e mais umas. Eu, Felipe, Vitinho e mais tarde, Marcia, vamos trabalhar. Os outros vizinhos vao reclamar do barulho e com muita razão. Quem em sã consciência vai reformar casa no carnaval?
Rio de Janeiro, 10:58 AM. Eu ja disse uma vez: da minha janela vejo a mata atlantica e a cidade. De um lado da cortina, o cristo redentor a exuberancia verdazul do pais tropical, do outro, urubus suicidas pousados em torres de alta tensão, na linha de tiro, esperam. De um lado nuvens tão brancas como os anjos, do outro, nuvem de poluição e um horizonte de gasoduto, entre eles, carradas de tijolos e papelão. É como um espelho quebrado: imaginario, real, imaginário, real. De vez em quando, como agora, os dois mundos se fundem num bando de helicopteros que passam tão perto, que dá pra ver as metralhadoras dos homens indo em direção ao infinito.
Assim é a vida. Tem gente que faz de nada uma coisa grandiosa. Tem gente que pega uma coisa grandiosa e reduz a nada. Mas tudo bem, a vida é assim. Acho que é o tal do nada vale a pena se a alma é pequena.
10:19 pm Depart Washington DC (IAD) Arrive Rio de Janeiro (GIG) 11:00 am tip+1 day Sun 11-Jan Duration: 9hr 41mn United //United 873 // Nonstop flight
Agora vc vai dizer, com razão, que eu sou uma coisa muito boba mesmo, né? Fico pior ainda como uma mamãe né? Também acho, mas nem ligo, me vê, Felipe está voltando pra casa, outra vez. :)!
Nossa, quanto tempo. E um advinho me disse para eu aproveitar cada minuto de 2009 pq parece que o tempo vai passar mais rápido pra mim do que para os outros. Já começou.
A moda agora é Loafer mas eu gostava mais, e ainda gosto mais, daqueles Drivers de miçangas da década de 80. Triste pq não encontro. quem fazia parou de fazer. Só encontrei - mas já tem uns 2 anos - uns arremedos na Mister Cat, enfim. Lembrei das espadrilhes da Cândida Andrade, com a sola em forma de pés e depois notas musicais e dos maravilhosos tamancos holandeses da Traesko. Não sei pq não fazem mais esses modelos. Eles são atemporais pelamordedeus Outra: vai me dizer que All Star é melhor do que Bamba? No way.
Semana. Não é preciso dizer que choveu o tempo todo no Rio de Janeiro. Mas eu digo :) É chato mas é bom pq meu apartamento pega sol de frente a tarde inteira. chuva é melhor para trabalhar. Fazer as coisas sozinha demora pa-ra-ca-ram-ba, mas é legal, ver a parede pronta, que foi vc que fez sozinha, a estante pintada e instalada, idem, dá muito gosto, apesar de ficar com dores musculares como as da época em que eu fazia balé cinco vezes por semana, ai. Mas quer saber?Até isso é bacana. E, como no filme aí embaixo, de vez em quando vem alguém aqui me ajudar a arrastar uma coisa muito pesada ou dar uma força na cozinha. O desafio era fazer tudo sozinha e com o menos de dinheiro possível, mas essas forcinhas de vez em quando não é roubar, é? Acho que não, né? Minha vida segue assim.
Falando em cozinha, o ponto alto desses dias foi o convite que recebi de André para um menu degustação na casa deles essa semana. Como sempre acontece com as comidas do André, me alimentei de corpo alma e coração com esses tomatinhos que vc está vendo aí na foto e mais outros fingers food caprichados que só um chef mesmo pra saber como faz. Parece simples mas sofisticação dá muito trabalho, pode saber. Outra, dou força pra vc encomendar os brigadeiros trufados que ele faz. O fechamento da degustação: brigadeiros trufados de sobremesa, e não adianta eu ficar descrevendo, voce não sabe até experimentar. Vou te contar, quem tem amigos tem tudo :)